terça-feira, 2 de abril de 2019

"The Experimenter"- a teoria de Stanley Milgram

           

                "The Experimenter"- Filme baseado na teoria de Stanley Milgram"


O filme "The Experimenter" relata a vida e a obra do famoso psicólogo Stanley Milgram abordando a sua experiência sobre a obediência. 
É um filme bastante interessante tanto no ramo da psicologia, como a nível pessoal na medida que é uma grande lição de vida, onde mostra que o ser humano tem sempre poder de escolha e, que o livre-arbítrio existe. 

A experiência era feita à base de choques. Dois indivíduos de livre vontade sujeitavam-se aos testes, um “aluno” e um “professor”. O “professor” fazia perguntas ao “aluno” e caso este respondesse erradamente o “professor” através de uma máquina dava choques elétricos, a potência dos choques eram aumentados progressivamente. O que o “professor” não sabia era que o “aluno” era cúmplice da experiência e que os choques não eram verdadeiros. Só 35% dos indivíduos é que quiserem interromper o teste. Os restantes, mesmo sabendo que estavam a provocar dor ao seu colega quiseram continuar o teste.









O que levou este psicólogo a realizar as suas experiências foi a ânsia de percecionar as reações dos indivíduos face as indicações concretas de superiores, como na Segunda Guerra Mundial (nomeadamente os nazis que em momento algum apelaram ao bom senso). As suas experiências eram em torno da obediência. Pois, tinha como objectivo explicar a relação das pessoas com a autoridade de forma a entender a banalidade do mal para os indivíduos que o praticavam, estudando o funcionamento da consciência quando se deparada com a obediência. Até que ponto um individuo aplica choques eléctricos a outras pessoas, só porque o mandam fazer? Onde está a consciência das pessoas? Eram exactamente a estas perguntas que o psicólogo Milgram pretendia dar resposta.


Obediência

Milgram chegou à conclusão que as pessoas desvalorizavam as suas atitudes na medida em que achavam que por cumprirem ordens não eram responsáveis pelas suas acções, uma vez que não tinha partido da vontade própria. 
Percebeu que muitos indivíduos levam a obediência demasiado a sério, em cumprir as suas tarefas, em seguir ordens, mesmo que isso cause sofrimento a outros.
Para muitos a obediência é uma tendência comportamental levada de forma profunda e fiel, chegando a ser um impulso que sobrepõe-se à ética, conduta humano, tornado o individuo incapaz de pensar por si e distinguir o correto do incorrecto. 
A obediência não existe apenas no contexto de guerra, existe também no nosso dia-a-dia. Por exemplo, nos filmes muitas das vezes os atores seguem “à risca” os textos e as ordens dos diretores e não são capazes de proporem as suas ideias, aceitando em pleno as ordens que são dadas. 
Na vida do ser humano é muito importante existir sempre um equilíbrio. A própria obediência deve ter equilíbrio. O ser humano é dotado de raciocínio, tem poder de escolha, tem poder de distinguir o que é moral do que não é e apelar sempre ao bom senso mesmo estando sob uma autoridade/ indivíduo superior. 

Francisca Ribeiro

Damásio e a mente

 Damásio e a mente

  
   António Damásio procura entender a mente a partir do funcionamento do cérebro. É contra as conceçoes que, durante séculos, defenderam uma mente apenas orientada pela razão, independente do corpo, das emoções e dos afetos. Damásio rejeita o dualismo corpo-mente, afirmando que a mente é uma produção do cérebro.

  Para Damásio, assim como os nossos sentidos nos dão a conhecer o mundo exterior através de processos de ativação nervosa, as emoções são padrões de ativação nervosa que correspondem a estados do nosso mundo interior.

   Na sua perspetiva, as emoções são representações cognitivas de estados corporais. Este é um dos mecanismos que levam Damásio a encarar o organismo como uma totalidade em constante interação com os meios exterior e interior: o corpo, o cérebro e a mente agem em conjunto porque são uma realidade única.

  Damásio vai desenvolver o conceito de um mecanismo que vai ter uma grande influencia nas suas concepções e que constitui uma das contribuições mais inovadoras: o conceito de marcador somático para explicar a influência das emoções nos processos cognitivos. É criada uma representação cognitiva a partir de uma situação, que inclui duas informações: a informação que resulta da percepção externa e a informação emocional interna. Deste modo, ficam associadas na nossa memória as duas informações, que serão utilizadas numa situação semelhante.

  Para Damásio, as emoções são um instrumento para avaliarmos o meio, as situações e agirmos de forma adaptativa. Quer o meio interno, quer o meio externo são fontes de desequilíbrios, de perturbações, que exigem respostas adaptadas e decisões. A decisão implica uma avaliação do mundo, que é acompanhada pelas emoções e pelos sentimentos. Estes conceitos estão intimamente ligados com a razão, são os alicerces da mente: interagem os processos cognitivos e a capacidade de decidir, bem como a consciência de si próprio.

Metodologia de investigação

   O estudo do caso de Phineas Gage constituiu uma abordagem inovadora, na medida em que combina os testemunhos do passado com as mais modernas tecnologias. Damásio e a sua mulher Hanna vão, através de técnicas de imagiologia cerebral, reconstituir a situação da autópsia: a trajetória da barra de ferro e as lesões provocadas no cérebro de Gage. É a relação entre o reconhecimento das lesões e o efeito no comportamento que leva a equipa de Damásio a investigar situações semelhantes nos seus doentes. Estudam, sobretudo os danos neurológicos nos sistemas emocionais, comparando o funcionamento dos cérebros lesionados. É a partir do estudo aprofundado destes casos e baseado em experiências laboratoriais que Damásio elabora a sua teoria.

Conclusão


  As obras de António Damásio tiveram um forte impacto entre os especialistas e o público em geral. Culminando um conjunto de investigações que, desde a década de 70 do século XX, vinham a ser desenvolvidas sobre o papel das emoções, Damásio produziu uma integração que corresponde a um marco importante nas neurociências e na psicologia. A perspetiva interdisciplinar que acompanha as suas investigações e reflexões tem um objetivo: desvendar e compreender o que significa o ser humano. 

  A afirmação de que o cérebro e a mente constituem uma realidade una e a forma como as emoções e os sentimentos passaram a ser encarados constituem-se como elementos fundamentais da Psicologia atual. A afirmação da base biológica da mente e o papel das emoções e dos sentimentos nos processos cognitivos, como a resolução de problemas e as tomadas de decisão, perspetivam de uma forma inovadora as grandes questões da Psicologia. Ultrapassa, assim, as dicotomias mente-corpo, razão-emoção. 

Íris Santinhos.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Síndrome de Stendhal - Pode a arte demasiado bela deixar-nos doentes?

O que é um síndrome?


Síndrome:

 1- Medicina - conjunto bem determinado de sintomas que não caracterizam uma só doença, mas podem traduzir uma modalidade patogénica.

 2- Figurado - conjunto de sinais ou características associados a uma situação crítica e causadores de receio ou insegurança.

Quem foi Stendhal?


Henry-Marie Beyle foi um escritor francês que sob o pseudónimo Stendhal publicou várias obras, sobretudo romances, diários e crónicas, entre outros.Viveu entre 1783 e 1842. 
No ano de 1817 visitou Florença, cidade do Renascimento, visita que lhe ficaria para sempre marcada na memória.
Quando visitava a Basílica de Santa Cruz, Stendhal ficou de tal forma fascinado com a beleza das obras que chegou a sentir náuseas e palpitações, eis o seu relato do acontecido:

  "Eu caí numa espécie de êxtase, ao pensar na ideia de estar em Florença, próximo dos grandes homens cujos túmulos eu tinha visto. Absorto na contemplação da beleza sublime… Cheguei ao ponto em que uma pessoa enfrenta sensações celestiais… Tudo falava tão vividamente à minha alma… Ah, se eu tão-somente pudesse esquecer. Eu senti palpitações no coração, o que em Berlim chamam de 'nervos'. A vida foi sugada de mim. Eu caminhava com medo de cair.”




Interior da Basílica de Santa Cruz








Stendhal






















Síndrome de Stendhal


Apesar da descrição de Stendhal em 1817 e de centenas de pessoas terem afirmado sentir o mesmo conjunto de sintomas após o seu relato, a síndrome foi apenas "oficializada" por Graziella Magherini em 1979. Graziella Magherini é uma psiquiatra italiana nascida em 1927, que trabalhou no hospital de Florença entre 1977 e 1986. Durante esse período tratou mais de uma centena de pacientes que alegavam sentir o mesmo que Stendhal havia sentido aquando a contemplação da "beleza sublime" da Basílica de Santa Cruz. Muitos destes pacientes foram levados de ambulância das galerias e museus da cidade após sofrerem tonturas, palpitações, alucinações, exaustão e até situações de perda de identidade.

Graziella Magherini


 Em Dezembro de 2018, um homem de 70 anos teve um ataque cardíaco enquanto observava "O Nascimento de Vénus" de Sandro Botticelli. Foi socorrido por dois cardiologista que visitavam o museu e mais tarde foi levado para o hospital de Florença, onde os médicos não tardaram a perceber a origem do sucedido, Tratava-se de mais um caso de Síndrome de Stendhal.
Quando inquirido sobre o acidente, Eike Schmidt, director da galeria, afirmou que não era a primeira vez que pessoas adoeciam no local, "acontece especialmente em frente a grandes obras como as de Botticelli ou a "Medusa" de Caravaggio". Confessou ainda que um visitante desmaiou em frente a "Medusa" e que outro teve um ataque epiléptico enquanto contemplava "Primavera" de Botticelli.


"O Nascimento de Vénus" de Sandro Botticelli.
"Primavera" de Botticelli

 "Medusa" de Caravaggio



 Apesar de haver casos registados fora da cidade de Florença, Magherini acredita que a cidade italiana irá continuar a ser palco da maioria dos casos de Síndrome de Stendhal, devido à sua "enorme quantidade de obra renascentista, que é bonita e perturbadora ao mesmo tempo, e pode provocar memórias angustiantes"



Tenham cuidado caros leitores, consumam arte com moderação!






As emoções

O que é a emoção?

 

Emoção é uma sensação física e emocional que é provocada por algum estímulo, que pode ser um sentimento ou um acontecimento. Vivenciar emoções é muito pessoal, elas podem ser sentidas de formas diferentes por cada pessoa. É a emoção que leva uma pessoa a reagir diante de um acontecimento. De acordo com a emoção vivida podem acontecer reações físicas como alteração da respiração, choro, vermelhidão e tremores.


Características das emoções:

Tempo: a emoção tem um principio e um fim;
Resultado de imagem para as emoçõesIntensidade: cada emoção tem um tipo de intensidade;
Alterações corporais: traduzem-se em varias manifestações corporais;
Causas e Objetos: as emoções têm sempre uma causa e direcionam-se sempre para um objeto;
Versatilidade: aparecem e desaparecem com rapidez;
Polaridade: podem ser positivas ou negativas;
Reações: são sempre uma reação a algo;
Interpretação: traduz uma interpretação dos factos.

Tipos de emoções 

Emoções primárias ou universais: alegria, tristeza, medo, cólera, surpresa ou aversão. Assentam numa base inata e os seu aparecimento não depende da aprendizagem 
Emoções secundarias ou sociais: vergonha, ciúme, culpa ou orgulho. Foram construídas sobre as emoções iniciais e implicam o recurso a aprendizagens feitas.
Emoções de fundo: bem -estar, mal-estar, calma ou tensão. 

Carácter específico dos processos emocionais

As emoções é algo difícil de esconder, sendo uma forma de comunicação. Simples gestos como: torcer de mãos, arquear as sobrancelhas, semicerrar os olhos, descair do lábio, pela alteração do tom de voz, entre outros sinais, denunciam o que estamos a sentir. 
É através das emoções que o recém nascido comunica para poder manifestar as suas necessidades e desejos, uma vez que esta desprovido da possibilidade de sobreviver sozinho. Os sinais emocionais, sorriso, expressões faciais, choro, grito, constituem um sistema de comunicação precoce que permite ao bebé levar o adulto a participar na sua sensibilidade e a obter as repostas necessárias ao seu bem-estar e à sua sobrevivência. Por suas vez, o adulto interpreta e responde. 

Afetos e sentimentos 

Os sentimentos são experiências privadas que, ao contrario das emoções, não podem ser observados por outras pessoas. As emoções estão na base dos sentimentos. As emoções acontecem e passam, podendo voltar desde que um estímulo as desencadeie, os sentimentos ficam e acompanham-nos ao longo do tempo com maior ou menor intensidade.

Resultado de imagem para as emoções

Fases dos sentimentos, segundo António Damásio:

Estado da emoção: a emoção pode ser desencadeada e experimentada de forma inconsciente;
Estado do sentimento: pode ser representado de forma não consciente; 
Estado de sentimento tornado consciente: conhecido pelo organismo que experimenta a emoção e o sentimento.

Concluindo, para que os sentimentos possam ter influência sobre o sujeito para além do momento, a consciência tem de estar presente. 
Filipa Silva nº8

Ego,Superego e Id

O Ego, o Superego e o Id são instâncias que formam a psique humana, de acordo com a Teoria da Personalidade, desenvolvida por Sigmund Freud em seus estudos sobre a Psicanálise.
Id é o componente nato dos indivíduos, ou seja, as pessoas nascem com ele. Consiste nos desejos, vontades e pulsões primitivas, formado principalmente pelos instintos e desejos orgânicos pelo prazer. A partir do Id se desenvolvem as outras partes que compõem a personalidade humana: Ego e Superego.
Ego surge a partir da interação do ser humano com a sua realidade, adequando os seus instintos primitivos (o Id) com o ambiente em que vive. O Ego é o mecanismo responsável pelo equilíbrio da psique, procurando regular os impulsos do Id, ao mesmo tempo que tenta satisfazê-los de modo menos imediatista e mais realista. Graças ao Ego a pessoa consegue manter a sanidade da sua personalidade. O Ego começa a se desenvolver já nos primeiros anos de vida do indivíduo.
Superego se desenvolve a partir do Ego e consiste na representação dos ideais e valores morais e culturais do indivíduo. O Superego atua como um “conselheiro” para o Ego, alertando-o sobre o que é ou não moralmente aceito, de acordo com os princípios que foram absorvidos pela pessoa ao longo de sua vida.


De acordo com Freud, o Superego começa a se desenvolver a partir do quinto ano de vida, quando o contato com a sociedade começa a se intensificar (através da escola, por exemplo) e as relações sociais passam a ser melhor interpretadas pelas pessoas.
Em suma, esses três componentes da formação da personalidade – Id, Ego e Superego – são as representações da impulsividade, da racionalidade e da moralidade, respectivamente.
                                                                        Resultado de imagem para id ego superego                 Tiago Moreira n:19 12c

sexta-feira, 29 de março de 2019

Perceção e a cultura


Perceção e cultura

A forma como percecionamos o mundo varia com a cultura, com o contexto cultural. Vários estudos transculturais procuram esclarecer de que modo a cultura influencia a forma como se perceciona o mundo. A perceção da profundidade é também afetada pela cultura.

O desenho abaixo representa uma situação exterior ou interior?




Se assumirmos que a figura retangular atrás da segunda mulher que está sentada do lado esquerdo é uma janela revelando vegetação lá fora, tendemos a pensar que é uma cena interior. Além disso, a figura em forma de Y que se destaca no canto superior direito parece indicar que há um teto.

No entanto, indivíduos de culturas da África oriental, disseram que se tratava de uma situação familiar, em que a mulher, referida anteriormente, transporta um pacote volumoso na cabeça, situação que é frequente no quotidiano da região. Tratava-se para essas pessoas de uma cena exterior, em que o objeto que para nós indicava ser um teto, representava uma proteção contra o sol.

Conclusão

Concluímos assim, que o contexto cultural marca o modo como se perceciona o mundo, daí que um mesmo objeto, acontecimento ou situação se perceciona de diferentes maneiras por sujeitos que pertencem a diferentes culturas.



Íris Santinhos, Nº10.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Terrores Noturnos 

  
  O terror noturno é um distúrbio do sono determinado por casos contínuos de pânico ao longo da noite. 
  
  A maioria das crianças sofre com esta perturbação, provocando gritos, a ilusão de situações de perigo e acelerações cardíacas.
 Este fenómeno distingue-se do "pesadelo". Enquanto que, os pesadelos afetam pessoas de todas as idades e não são tão graves, isto é, são apenas consequências de situações de stress e preocupações, os terrores noturnos são bem mais severos e podem exigir tratamentos convenientes, já que a criança pode manifestar comportamentos autodestrutivos e gerar danos no desenvolvimento físico e psicológico.  
 

Geralmente, as origens deste problema designam-se a ansiedade ou casos de depressão. Por isto, basta a criança passar por episódios de angústia, tristeza ou ânsia que suscitará este distúrbio. 

Para ajudar a ultrapassar esta perturbação é importante regular o horário do sono, ter uma alimentação cuidadosa, evitar preocupações ou stress e nunca acordar a criança a meio do sono pois pode prejudicar a estabilidade da mesma. 

 
 Em suma, os terrores noturnos são graves demais para serem ignorados, é preciso oferecer proteção à criança nestes momentos de crise. 


Raquel Monteiro