terça-feira, 27 de novembro de 2018

Intimidade








Intimidade


A interação social apresenta atributos próprios de uma espécie particular de relações íntimas. Estas apresentam diferentes níveis de intimidade.
Nem todas as pessoas se mostram à vontade para estabelecer relações com os que as rodeiam. Deste modo, estas podem estar ou não disponíveis para compartilhar sentimentos, afetos e emoções. Por isso, a intimidade tem uma dimensão relacional e uma dimensão pessoal (esta dimensão está ligada à personalidade de cada pessoa, à sua história pessoal e ao contexto de vida em que a mesma se encontra).

Woolams define a intimidade como:

"...a partilha de sentimentos, pensamentos e experiências numa relação de abertura, sinceridade e confiança."



Imagem relacionadaAs condições para uma relação íntima requerem abertura, a sinceridade e a confiança.
Existem várias dimensões de intimidade como:

  • Intimidade Social - experiência de ter amigos;
  • Intimidade Sexual - experiência de partilhar o contacto físico, sexual;
  • Intimidade Emocional - experiência de proximidade de sentimentos, o encontro da compreensão e apoio;
  • Intimidade Intelectual - experiência de partilhar ideias e conceções de mundo e de vida;
  • Intimidade Lúdica - experiência de partilhar tempos livres e de lazer e gostos.

Por exemplo, numa relação interpessoal íntima com duas pessoas ou um casal, caracterizam-se por outras características como as relações intensas, frequentes, em que é singularizada a partilha de sentimentos, crenças, dados pessoais e afetos. Partilham os seus passados, experenciam o presente e planejam o futuro.



Intimidade e amizade

A amizade inclui alguns elementos essenciais para a sua definição:
  • pessoal;
  • informal;
  • voluntária;
  • que implica reciprocidade;
  • que envolve atração pessoal;
  • que facilitam os objetivos que os envolvidos querem atingir;
  • positiva;
  • de longa duração.
  • (ou também, a sexualidade).

Qualidades que se procuram num amigo/a:
  1. Manter a confiança/lealdade;
  2. Carinho, afeto;
  3. Apoio;
  4. Fraqueza/sentido de humor;
  5. Vontade de arranjar tempo;
  6. Independência;
  7. Bom conversador;
  8. Inteligência.
Cada um de nós tem as suas expectativas em relação ao seu amigo. Entres estas, a defesa de um amigo ausente, a partilha de acontecimentos e ocorrências relevantes, apoio emocional sempre que precisa, confiança no outro e ser verdadeiro e o apoio ao outro de forma espontânea e voluntária.


Intimidade e amor


"Os investigadores tentaram identificar as características que distinguem o mero gostar do amor avassalador. Utilizando esta abordagem, descobriram que o amor não é simplesmente gostar em maior quantidade, mas um estado psicológico qualitativamente diferente. 
Por exemplo, pelo menos nos seus estádios mais iniciais, o amor inclui uma excitação psicológica, relativamente intensa, um interesse no outro indivíduo, fantasia sobre o outro, e oscilação de emoções relativamente rápidas. Similarmente, o amor, ao contrário do gostar, inclui elementos de paixão, proximidade, fascinação, exclusividade, desejo sexual e uma preocupação intensa. Os parceiros são idealizados; exageramos as suas qualidades, minimizamos as suas imperfeições."

Feldman,R.



"O amor é, habitualmente, estudado no contexto de relações. O amor sexual ou apaixonado, o sentimento intenso e frequentemente repentino de se "amar", envolve a atração sexual, um desejo de amor mútuo e proximidade física, e o medo de que a relação acabe. O amor companheiro é marcado por uma amizade muito íntima, ternura mútua, cuidado,respeito e atração."

Kosslyn, S.,Rosenberg,R.

Este texto enumera as ideias partilhadas pela maioria das pessoas sobre o modo como os homens e as mulheres encaram o amor. 


  • O Modelo Triangular do Amor
Este modelo foi elaborado pelo psicólogo Robert Sternberg, e é composto pelas três dimensões do amor: a intimidade, a paixão e o compromisso.




Intimidade ( desabafar com 
outros e partilhar sentimentos).
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                        Paixão (atração erótica;                                              Compromisso(intenção
                        sentir-se apaixonado).                                                 de manter-se numa relação).
                  
                                                                                                            
A intimidade corresponde em sentimentos que têm o objetivo a proximidade emocional, a união, a compreensão mútua e a partilha (componente emocional).
A paixão inclui um intenso desejo sexual, uma vontade irreprimível de estar com o outro (componente motivacional).
O compromisso confere a intenção de um comprometimento em manter uma relação amorosa (componente cognitiva).

Em conclusão, a amizade e o amor manifestam-se de diferentes formas, em diferentes sociedades e nas épocas históricas.




Íris Santinhos.



sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Zoon Politikon


Zoon Politikon


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 Aristóteles afirma que "o Homem é por natureza um ser político", isto é, é um ser que vive em sociedade. A palavra "política" deriva de "polis" (cidade) e significa, vida em sociedade/viver em sociedade.

 O Homem não é um ser que viva isolado, mas sim um ser que necessita dos outros e do seu apoio, foi e é esse convívio em sociedade que nos tornou no ser que somos hoje. A evolução passa por viver em sociedade, discutindo e partilhando ideias e sentimentos de forma a alcançarmos a felicidade comum.

 Há de facto excepções, seres humanos que se isolam da sociedade em busca de liberdade. Mas esta fuga não garante de facto a liberdade, a liberdade é um estado de espírito, não um estado social.

 Christopher McCanndless, protagonista do livro e filme "Into the Wild", que se refugiou da sociedade nas frias montanhas do Alaska deixou a seguinte mensagem no seu diário: "a felicidade só é real quando compartilhada".


José Alves

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Eu não sou como os outros!


Eu não sou como os outros!

(…) A partir de um bebé inconsciente, inacabado, fomos, pouco a pouco, fabricados por todos os contributos do mundo que nos rodeia. Lançando mão de todos os recursos, devorando tudo, desenvolvemo-nos sem preocupações, às cegas, empanturrados de papas, de conselhos, de bandas desenhadas, de afecto, de repreensões e de televisão.

Chega então a idade em que olhamos para nós próprios: quem é este ser em que me transformei? O que é que ele vale? (…) Vemo-nos ao espelho (…) Serei belo? Serei inteligente?

A resposta a estas perguntas lancinantes é: diferente dos outros. Eu não sou como os outros. É claro, porque o meu património genético, fruto de uma dupla lotaria, é único; como o é única a aventura que vivo.

O que tenho em comum com todos os outros é o poder de, a partir do que recebi, participar da minha própria criação. (…) E para isso contribuíram os meus pais, cujos óvulo e espermatozóide continham todas as receitas de fabricação das substâncias que me constituem. E a minha família, pelo alimento, pelo calor, pelo afecto, que me permitiram crescer e estruturar-me. E a escola que me transmitiu conhecimentos acumulados pela humanidade desde que esta procura conhecer-se e conhecer o universo. E todos os que me amaram, com o seu insubstituível amor.

Mas sou eu que tenho de concluir a obra, que tenho de colocar a trave mestra. Esqueçam o modelo que gostariam que eu fosse. Não sou obrigado a realizar o sonho que imaginaram para mim; isso seria trair a minha natureza de homem.

Para que eu seja verdadeiramente um homem, devem oferecer-me mais uma coisa: a liberdade de vir a ser o que escolhi.

A. Jacquard, O Meu Primeiro Livro de Genética

Biologia e Cultura


É evidente que o conceito de homem é um conceito cultural, que tem necessidade de uma linguagem para ser formulado e que está sujeito a grandes variações segundo as culturas e mesmo segundo as teorias biológicas. Mas, não é menos evidente que as culturas onde se forma o conceito de homem são parte integrante na organização social de um ser biológico, sempre o mesmo nos seus caracteres fundamentais de bípede com um cérebro grande, a que podemos chamar Homem.

E. Morin, Philosopher

terça-feira, 13 de novembro de 2018

A teoria da aprendizagem social


A aprendizagem social é algo mais do que uma aprendizagem que tem lugar na sociedade.(...) Num sentido amplo, todas as nossas aprendizagens são aprendizagens sociais, mediadas culturalmente, na medida em que se efectuam em contextos de interacção social: nas relações familiares, na escola ou nas situações laborais e profissionais. (...) Comportar-se em sociedade requer não só dominar certos códigos de intercâmbio e de comunicação cultural, como dispor de certas capacidades para lidar com situações sociais conflitivas ou não habituais.(...) A teoria da aprendizagem social de Bandura desenvolve a ideia (...) de que a modelagem se produz de forma contínua na nossa vida social, de forma mais implícita que explícita, e conduz tanto à aquisição de comportamentos novos, quer desejáveis, quer indesejáveis, como à desinibição de outros.

Municio, I., Aprendices y Maestros

A teoria da aprendizagem social

De onde vem a violência?


















Os cientistas entram em conflito: o homem é violento por natureza ou a sociedade é que o faz assim?

super interessante

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Não nascemos humanos?


Na verdade, o comportamento, no homem, não deve à hereditariedade específica uma parte tão importante como nos outros animais. O sistema de necessidades e de funções biológicas, legado pelo genótipo, na ocasião do nascimento, aparenta o homem a qualquer ser animado, sem o caracterizar nem o designar como membro da “espécie humana”. Em compensação, esta ausência de determinações particulares é perfeitamente sinónima da presença de possibilidades indefinidas. A vida rígida, determinada e regulada por uma dada natureza, substitui-se nesse caso pela existência aberta, criadora e ordenada de uma natureza adquirida.

L. Malson, As Crianças Selvagens